
A bolha do meu ser estourada se desfez, numa outra criatura transformada se animou.
Era quase dia, quase inverno, já havia eu sentado ante a noite da lua nova, buscava uma vida encantada para amar.
No assoalho, eu diante do espelho, sob o teto, na fervura da minha cabeça, essa minha cabeça desgastada por apego, fogareiro de tantas ideias, agora anda numa sina a me maltratar, fazendo-me resquício da certeza, devorado por ser intenso.
A flor da pele, quase uma película, estou descascando...
Pés frios e mãos cada vez mais quentes, estou suando na friagem, meio aceso, uma lamparina de desejo, não imaginas o quanto pesa a levesa de um amor, amor assim indefinível, que não se explica mais se sente.
Queimo minha pele, bolha, casca, queimo minha casaca. O céu já está derretido, como vela, pinga sobre o meu peito doando vida em demasia, vida apaixonante, amável e sufocante.
No mar da alegria sou marujo com destreza, não reclamo da pobreza que outros fingem não sentir, eu mesmo caio todos os dias, mas no chão o meu amor é uma semente, que despeja o verde para junto com outras cores nas roseiras se espalhar.