domingo, 20 de setembro de 2009

Amado.

Em cada rosto amanhecido dela.
A cada despertar.
Por cada saudação de bom dia.
Coisinhas que trazem alegria!

A cada toque de luz solar que em cada manhã vem nos despertar.
Em cada passo neste lar percorrido.
O sabor que entre nós são sentidos.
Em cada olhar...

Me reconheço nela, assim, amado.

sábado, 5 de setembro de 2009

Filosófico papo ao trago seco deste vinho.



Debruçado sem sentir os calcanhares
Disfarçado se não há para quê máscaras
Contemplando o trago do mais fino vinho
Vivenciando das colheitas a mais calma.

Se perder no desafio da incerteza
Com clareza ter o gozo em maturação
Para a vida, um ser renasce quando se está em berço d'ouro
Assim neste mistério não se esconde nem se cala.

A vida é escura quando em claro não se iguala,
Se na estrada em que se joga nada se espera!

sábado, 22 de agosto de 2009


Milhares de homens trazem milhares de ideias, tantas certezas, toda uma loucura de gozar da sã consciência, retrato da mais pura inocência perceber-se lúcido o mais capacitado ser!

Milhares de homens crêem saber de si, do mundo e de todo o entorno, retrato do mais puro retorno para a bolsa que na mãe um dia habitou.

Milhares de tolos pensam que se orientam, sabem até do destino de outro alguém, pobre menino o refém da sua insignificante vivência. Sábio não é aquele que pensa ser, sabedoria e o que se experimenta com a mais pura abstração.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Ser ave migratória.


Bater asas por aí
Migrar como uma Gaivina
Nada dispersivo ou ocasional
Mudar por necessidade em busca de vidas amenas
Mudar para nunca estar no mesmo lugar
Para não ter um sorriso enfraquecido ou manhãs de infelicidade
Mudar por instinto como fazem as andorinhas
Liberdade é saber a medida, escutar o coração que as vezes vibra com uma partida.
Mudar é uma despedida, um retorno para um outro ponto de partida.
Abandonar a escassez em busca da abundância, migrar e não ficar parado, buscar sempre a alegria num habitat acalorado.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

O Antiquário.

Folhas secas.

Aridez.

Tons pastéis.

verniz empoeirado.

papel sendo traçado.

Baú de recordações...

Pratarias, bolor emoldurado.

Relíquias do tempo, cheiro antigo.

8 milímetros, dedicatória de um passado.

Histórias tão vividas.

Fotografias de estranhos.

Broches e porcelanas.

Um universo...

O Antiquário.

Aflorada Perdição.

No deserto do amor, cume da minha alegria, na dor da alma ferida,
uma lágrima em meu rosto escorria.

Eu lavo de ilusões esse amor a cada dia, sabendo que minha boca na tua se sacia.

Sem meus pés sentirem o chão meu coração não se escondeu para hoje junto ao teu pulsar em temporal.

Amar flameja os sentidos descascando emoção, sou um amante no jazido,
se liberto estou perdido, salvo sempre por amor, minha aflorada perdição.

Observação!

Cada fio de cabelo!
Meu DNA.

Cada gota deste suor!
Um oceano.

Cada cochicho meu ao vento!
Assombração.

Cada espaço entre linhas!
indagação.

Cada texto escrito!
Devastação.

Cada passeio destes teus olhos!
Cada passeio teu por aqui é forro de cama para meu coração.

Poesia carece de observação!

Auto refém.

De onde vem a secura que me farta a alma?
Com fome de amar sacio as manhãs, labuta no desatino, se acaso for destino hei de viver a sonhar.

Outros dirão tratar-se de um louco,
Vivem no oco estes sãos, não sabem onde vão, pra onde vou eu já sei.

Do amor ganhei asas, só não estou pleno em voo, me falta estabilidade mas isto conquistarei.

De onde vem todo o magnetismo que me estremece o peito?
Na sede por mais me seco a liberdade, mas disto eu já cansei, tudo demasiado é caótico, livre ilusão.

Preciso de uma prisão que me cegue para a vida, me lavre no desperdício do tempo que escorre pelas minhas mãos.


Faço uma pausa para digerir meu bilhete premiado, a vida não me veio por acaso, e o amor dela provém, não serei eu um refém da triste enfadonha ternura que é viver sem razão.

Me tranco ao mundo sendo amado, me ilumino ante o declínio eminente da vida dando amor para quem como eu detém um coração bem guardado.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Sobre arte, Vik Muniz e vida.



Quanto peso uma alma pode carregar?

Quantas tantas sucatas envelhecidas trazem consigo?

Quanta febre suportaria uma vida?

Quanta tristeza uma existência suportaria?

Quantos restos acolheria um absoluto infeliz?

Quantas almas hão de se arrastar sem vida?

Quantas vidas envelhecidas irão se aceitar?

Quantas almas sem vida passarão sem nada notar?

Eu clorofila.



A bolha do meu ser estourada se desfez, numa outra criatura transformada se animou.

Era quase dia, quase inverno, já havia eu sentado ante a noite da lua nova, buscava uma vida encantada para amar.

No assoalho, eu diante do espelho, sob o teto, na fervura da minha cabeça, essa minha cabeça desgastada por apego, fogareiro de tantas ideias, agora anda numa sina a me maltratar, fazendo-me resquício da certeza, devorado por ser intenso.

A flor da pele, quase uma película, estou descascando...

Pés frios e mãos cada vez mais quentes, estou suando na friagem, meio aceso, uma lamparina de desejo, não imaginas o quanto pesa a levesa de um amor, amor assim indefinível, que não se explica mais se sente.

Queimo minha pele, bolha, casca, queimo minha casaca. O céu já está derretido, como vela, pinga sobre o meu peito doando vida em demasia, vida apaixonante, amável e sufocante.

No mar da alegria sou marujo com destreza, não reclamo da pobreza que outros fingem não sentir, eu mesmo caio todos os dias, mas no chão o meu amor é uma semente, que despeja o verde para junto com outras cores nas roseiras se espalhar.