terça-feira, 5 de maio de 2009

Eu clorofila.



A bolha do meu ser estourada se desfez, numa outra criatura transformada se animou.

Era quase dia, quase inverno, já havia eu sentado ante a noite da lua nova, buscava uma vida encantada para amar.

No assoalho, eu diante do espelho, sob o teto, na fervura da minha cabeça, essa minha cabeça desgastada por apego, fogareiro de tantas ideias, agora anda numa sina a me maltratar, fazendo-me resquício da certeza, devorado por ser intenso.

A flor da pele, quase uma película, estou descascando...

Pés frios e mãos cada vez mais quentes, estou suando na friagem, meio aceso, uma lamparina de desejo, não imaginas o quanto pesa a levesa de um amor, amor assim indefinível, que não se explica mais se sente.

Queimo minha pele, bolha, casca, queimo minha casaca. O céu já está derretido, como vela, pinga sobre o meu peito doando vida em demasia, vida apaixonante, amável e sufocante.

No mar da alegria sou marujo com destreza, não reclamo da pobreza que outros fingem não sentir, eu mesmo caio todos os dias, mas no chão o meu amor é uma semente, que despeja o verde para junto com outras cores nas roseiras se espalhar.

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